Reality show acende debate sobre preconceito contra mulheres gamers

O preconceito contra mulheres gamers veio à tona no início deste mês, durante o programaCross Assault, um reality show exibido pela Internet que mostra um torneio de Street Fighter X Tekken, promovido pela Capcom. Pelo Twitter, a participante Miranda Pskozdi acusou o capitão de seu time, Aris Bakhtanians, de assédio sexual e misoginia.

 O acusado sequer teria se importado quando confrontado em uma conversa particular, segundo Pakozdi. De fato, em outra discussão exibida no quinto episódio da série, Bakhatanians afirmou que xingamentos contra mulheres eram aceitáveis, pois assédio sexual fazia “parte da cultura de eSports há mais de 15 anos”, e que “isso não pode ser mudado”.

A polêmica repercutiu em diversos fóruns e sites especializados em games. A Capcom precisou retratar-se publicamente: “A Capcom acredita que todos devem ser tratados com respeito. Esse problema particular nos chamou a atenção e já foi resolvido. Nós sinceramente pedimos desculpas a qualquer um que tenha se sentido ofendido por quaisquer comentários expressos durante a atração.”

O próprio Aris Bakhtanians pareceu ter se arrependido, publicando uma retratação no Twitter. “Ao fazer essas declarações, eu estava estressado porque senti que a cultura da comunidade que eu faço parte há mais de 15 anos estava sendo ameaçada. Eu sinceramente peço desculpas se tiver ofendido alguém.”

Infelizmente, casos como esses também são comuns no Brasil. “A maioria dos homens na Internet acha que pode xingar as mulheres por ter um preconceito de que nós somos ruins e bastante inferiores, principalmente quando eles perdem para nós”, relata a jogadora profissional de Counter Strike, Carolina Ribeiro.

Shayene Victorio, outra campeã de Counter Strike, também diz que situações como essa são comuns por aqui, mas faz uma ressalva. “Os meninos sentem muito orgulho de nós. Às vezes, zoam para chamar a atenção. É como quando você é criança e o menino puxa seu cabelo. Na verdade ele quer dizer que te ama!”, brinca Shay, como também é conhecida.

Ao menos dois jogadores masculinos afirmam não ter problemas com mulheres participando de campeonatos, embora relatem já ter testemunhado diversas situações de discriminação contra mulheres gamers. Para Luís Hessel, que, além de Counter Strike, jogou profissionalmente StarCraft entre 2000 e 2011, o desrepeito vai além. “Vejo constantemente provocações entre times e jogadores, e acho bem perigoso como a comunidade acha normal a guerra psicológica entre competidores. É um atentado ao respeito que devemos ter uns com os outros incondicionalmente”, explica.

Arthur Resende, mais um craque do Counter Strike e que namora outra jogadora profissional, Falissah Finger, concorda. “Geralmente eu defendo as que estiverem jogando comigo para não gerar confusão, odeio esse tipo de preconceito”, conta. O problema ocorrido no reality showCross Assault ao menos trouxe visibilidade ao problema, acredita o jogador. “É um absurdo, isso não é normal e nem faz parte do eSport. Fazer isso em um campeonato deveria acarretar no mínimo em uma expulsão do jogador.”

Já Carolina Ribeiro crê que casos como esse atrapalham e até impedem o surgimento de novas jogadoras profissionais. “Para essas meninas, eu aconselho considerar esse obstáculo como outro qualquer, porque quando alguém faz algo que gosta, vai até o fim”, afirma. Conselho semelhante ao de Shayene, que recomenda às novas profissionais terem consciência do mundo em que estão entrando. “Dizer que vai ser mil maravilhas é mentira. Mas não dê atenção aos comentários maldosos. Mostre que o seu maior diferencial é a sua habilidade, não o seu gênero”.

Fonte: Techtudo

Sobre Diego S. Santos
Estudante de Publicidade e Propaganda, louco por cinema e o bom e velho Rock'n Roll.

2 Responses to Reality show acende debate sobre preconceito contra mulheres gamers

  1. shimithy disse:

    Preconceito com mulheres que curtem jogar ? Pô, se eu tivesse uma namorada que jogasse eu tava feito, não ia querer mais ninguém na vida. Ela poderia ser melhor que eu em alguns jogos e vice-versa. Na boa, o cara tem que ser muito cabeça fraca para ter ESSE preconceito. ¬¬’

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