‘Os Homens Que Não Amavam as Mulheres’ de David Fincher

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, primeiro livro da série Millenium, escrita pelo jornalista sueco Stieg Larsson, chegou às livrarias em meados de 2005. Ao todo, a série vendeu mais de 40 milhões de cópias em todo o mundo. Larsson revolucionou a literatura sueca, agradou público e crítica e foi tido como um divisor de águas para as publicações no país. Ele, porém, não presenciou todo esse sucesso: morreu logo depois de escrever a trilogia, após um ataque cardíaco.

Ele também não presenciou o lançamento dos filmes baseados na sua obra, que chegaram aos cinemas da Suécia em 2009 e que fizeram grande sucesso – aqui, passaram um tanto despercebidos. Se tivesse vivo, Larsson talvez achasse – como muita gente achou – desnecessária a produção de uma “versão hollywoodiana” de sua obra. O fato, porém, é que o filme de David Fincher, que chegou aos cinemas brasileiros na sexta-feira, supera o filme original sueco em todos – todos – os aspectos.

Não é segredo para ninguém que gosto muito de David Fincher como diretor (para quem não sabe, ele dirigiu Clube da Luta, Seven, Zodíaco, O Curioso de Benjamin Button e A Rede Social), então, estava na expectativa para ver de que maneira ele adaptaria Os Homens Que Não Amavam as Mulheres aos cinemas. E foi da melhor maneira possível – tanto que o filme concorre a cinco estatuetas no Oscar 2012.

A história já é bastante conhecida. Mikael Blomkvist (o ótimo Daniel Craig) é um jornalista, editor da revista Millenium, que acaba condenado por difamação. Ele é contratado por Henrik Vanger, um industrial milionário para, investigar o possível assassinato da sobrinha, Harriet Vanger, na década de 1960. Para isso, ele deixa Estocolmo e parte para a gelada região de Hedestab, onde vai passar um ano na pesquisa – oficialmente, ele estaria escrevendo a biografia de Henrik.

Paralelamente, Lisbeth Salander (Rooney Mara, impecável) é uma hacker “psicologicamente incapaz” que cuidar de si mesma e que trabalha numa empresa de segurança. Ela tem um passado cruel, o que acabou por transformá-la numa pessoa fria e afastada. Mas tudo muda quando ela é contratada por Mikael para ajudá-lo na sua investigação em busca da verdade por trás do caso Harriet.

Quem conhece o livro, porém, sabe que o enredo é muito mais profundo – e envolve boa dose de violência física e sexual. No filme de Fincher, essas partes estão bem mais pesadas do que no filme original, o que acabou deixando alguns críticos meio nervosos. Porém, essas cenas têm de ser analisadas dentro do contexto do filme. São fortes? Sim. Mas nada que já não tenhamos visto em outros filmes, o que, então, não é um ponto negativo.

O longa apresenta um bom ritmo e embora sejam 158 minutos de projeção (ou seja, mais de duas horas e meia), em nenhum momento o espectador se sente cansado ou desinteressado. Isso devido ao modo como Fincher narra a história – com muito mais detalhes do que a versão sueca, o que só acrescenta à experiência.

Mudanças foram feitas tanto em relação ao livro quanto ao filme original (como o final do filme, por exemplo). Do livro, o filme de Fincher já “adianta” algumas informações que os leitores só descobrem em “A Menina Que Brincava com Fogo”, segundo da série. Em relação ao filme sueco – que apresenta mudanças muito mais significativas com o livro, por sinal – Fincher melhora tudo, como a relação entre Mikael e Lisbeth.

Por falar na dupla de protagonistas, eles estão ótimos. Daniel Craig dispensa apresentações e já é um dos queridinhos de Hollywood. Ele faz um Mikael muito mais convincente do que Michael Nyqvist, que interpreta o jornalista na versão original. Rooney Mara dá a sua cara à Lisbeth Salander, e não deixa nada a desejar em comparação a Noomi Rapace, a hacker sueca – tanto que concorre ao Oscar de Melhor Atriz ao lado de Meryl Streep e Michelle Williams.

Outros detalhes técnicos fazem do filme um absurdo de tão bom: a trilha sonora e montagem estão impecáveis e podem render prêmios ao filme. Composta por Trent Reznor e Atticus Ross (mesma dupla que ganhou o Oscar ano passado por “A Rede Social”), a música do filme ajuda ainda mais a criar um ambiente de suspense. Os créditos já são uma boa amostra do que aguarda o espectador, com um remix de “Immigrant Song”, do Led Zeppelin. Já a montagem é a responsável em unir passado e futuro sem deixar o público confuso (o longa concorre ao Oscar este ano nesta categoria).

Muitos podem torcer o nariz e não entender porque David Fincher quis fazer seu primeiro remake da sua carreira. Ao final da projeção, essa sensação desaparece e o que surge nas nossas mentes é apenas a gratidão. Se a versão sueca do longa já era boa, o filme de Fincher expande e melhora tudo, com um filme muito mais completo e agradável, com um elenco competente. Seja você fã da saga de livros ou apenas apreciador de um bom filme de suspense, vá ao cinema o quanto antes e assista “OS Homens Que Não Amavam as Mulheres”. E que venham as continuação, já confirmadas – e, tomara, pelas mãos de Fincher.

Para dar um gostinho a mais para te animar à ir ao cinema ver esse filme, veja a sequência inicial do filme:

Fonte: Nós Geeks

Sobre Marcela Artusi
Formada em cinema, pseudo atriz, viciada em livros, aspirante a escritora, apaixonada por arte e perdida na vida.

Fazer um comentário...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: